sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Resquícios de um 2013...

Janeiro foi um mês de muito trabalho pra mim. Mas até mesmo quem trabalha em ritmo acelerado tem um tempinho para se descontrair.
Foi no primeiro mês do ano que conheci Atibaia, cidade onde hoje mora minha Loira amada, Tassiana, ao lado de seu marido, Luis.
Foi lá que celebramos o casamento dela, em uma manhã de sol fraco e vento gelado. Eu fui madrinha, auxiliar de decoradora e fotógrafa, isso além de prima.
Uma festa linda, apenas para a família, mas que rendeu muitas risadas... Muito além disso, reuniu a família toda em volta de uma churrasqueira.


Fevereiro começou meio que sombrio pra mim. Não entendia o que estava acontecendo. Eu já não me reconhecia mais. Estava com sensações estranhas, os cheiros mais incríveis me incomodavam e ocasionalmente vinham alguns enjoos.
O medo do desconhecido deu, enfim, lugar a certeza. Nunca imaginei que uma palavra poderia mudar tanto a minha vida. Eis que eu lia: POSITIVO.

Ganhei o presente mais lindo de todos. Da mesma forma que ele foi me dado, me foi tirado.
A palavra mudou e a minha vida se foi junto a ela.
Dias após a descoberta, outra palavra perturba a minha cabeça, vira a minha vida de ponta cabeça: NEGATIVO.
Foi em fevereiro que passei pelas minhas maiores provações.
Não ter o amparo de quem deveria me amparar nessa hora fez com que eu me transformasse em algo que eu não era. Obrigada por isso.
Agora, o agradecimento de verdade vai para aqueles que, mesmo não tendo nada a ver com a minha dor estavam ali, do meu lado, me dando bronca, conselhos ou apenas o ombro para chorar quando a dor era grande demais para ficar só dentro de mim. Adriel, Dani, Jéssica: obrigada.


Março não existiu pra mim. Um mês em vão. Recheado de dor.
Idas e vindas ao hospital e sempre a mesma pergunta: "onde está seu acompanhante?".
Outros, mais atrevidos, me perguntavam pelo pai.
Em março comecei a pensar mais sobre essa palavra. O que significaria a palavra pai para o tal pai?
Pra mim pai significa avô. Foi com ele que aprendi o que é certo e errado, feio e bonito e tantas outras coisas.
Queria que meu avô fosse eterno, assim poderia ensinar a muitas pessoas o verdadeiro significado de muitas coisas.


Abril não foi muito diferente. Todo recheado de dor, de silêncio, de uma renúncia egoísta, de um medo que já não era mais só meu, de rancor. Mais foi em meados desse mês que comecei a erguer a cabeça.
Entrei no carro com Adriel, meu amigo, confidente, companheiro, e fui parar em motel de beira de estrada em Boituva.
Foi de lá que vi os muitos horizontes que me esperavam pela frente para serem descobertos.
Lá, de mais de 12 mil pés de alturas, foi que percebi que poderia recomeçar minha vida, por meio de um salto de paraquedas.
Saltei... Superei o meu medo de altura. Fotografei e filmei tudo para guardar a recordação de algo que era para ser guardado por você.
Obrigada Queda Livre Paraquedismo de Boituva, obrigada Lauro, obrigada Ninja.


"Maio, já está no final. O que somos nós afinal, se já não nos vemos mais."
Mais um mês que se vai. A dor ainda continua. Nada de novo por aqui.
A raiva só que aumenta. O horror de pensar que mais uma vez estou sozinha faz com que as coisas parem ao meu redor.
Um mundo lindo lá fora e eu aqui, trancada em sentimentos vagos.
Aqui a luta acaba. A teimosia de um pequeno ser é vencida por um coquetel de remédios. Me encontro pela primeira vez com a representação do amor maior.
"Não vou te deixar nunca, prometo". E quando eu falo, eu cumpro.


Junho trouxe apenas mais um ano de vida para a minha coleção.
Comemorei, no dia 6 de Junho, 29 primaveras.
Uma festinha improvisada, apenas para os amigos mais próximos, em um pub de Rio Preto, regado a cerveja, coxinhas de frango música de qualidade fez com que eu me divertisse um pouco, parece de pensar em coisas que não me levavam a lugar nenhum. Até dancei...
Mas, a certeza de que eu estava ali de corpo presente não me deixava. Minha cabeça estava em casa, deitada na minha cama, pensando em como seriam as coisas se o mês de Fevereiro não tivesse existido.
Por um momento cheguei a pensar que tudo pudesse mudar...


Julho chega e meus pensamentos mudam. Eu ainda continuo vagando por lugares, deixando um pouco da minha dor por cada canto que passava e nada de mim com ninguém.
Foi aqui que percebi que o mês de Fevereiro deveria sim ter existido, aprendi muito com ele. O aprendizado é sempre válido. O que não precisava ter existido nesse mês era o dia 19.
Para mudar um pouco o rumo das coisas fiz um ensaio fotográfico com o Alex.
Foi aqui que dei um passo a frente e transformei o mês que estava por vir: comprei meu primeiro carro 0. Quem sabe uma prova, para mim mesma, que a vida não é feita só de momentos tristes...
Um Chevrolet Celta, branco, lindo... Dei a ele o nome do meu herói, do meu guerreiro, do homem da minha vida: Apparecido, meu véio, o Táta.


Agosto, mesmo sendo um mês nada bom pra mim há anos, me trouxe bons ares.
Foi no primeiro dia do ano que peguei as chaves do meu véio Táta.
É muito gratificante entrar em um carro e ter a oportunidade de tirar dele todos os plásticos do banco, os adesivos que não servem pra nada. E o cheirinho de carro novo então???
Eu precisava disso para sentir que na vida, temos que seguir em frente.
Segui, e segui com ele... Foi ele que me levou para o meu primeiro trabalho pelo escritório da Impacto Eventos e Formaturas Ticomia.
Ele foi ainda cenário para o primeiro de muitos beijos. Para o início, quem sabe, de uma nova história.


Setembro  trouxe pra mim a coragem de voltar à análise. De encarrar os meus medos de frente. A chance de me desculpar comigo mesma. Me desculpei, descobri uma nova chance de recomeço, fiquei mais leve.
Com a análise comecei a ver as coisas de uma forma diferente. Me perdoando abri um vitro, uma janela e aos poucos a porta. Errei ao deixar ela aberta.


Outubro traria pra mim um meninão, ou uma menininha nos braços.
Bernardo, Augusto ou Arthur, gosto de nomes fortes. Sofia ou Isabela, me remetem a força também.
Agora: Júnior jamais.
Teria ele, ou ela, muita coisa minha: os traços, a ternura no olhar, a inteligência, a teimosia, que já apresentava e tantas outras qualidades. Alguns defeitos também.
Do pai... do pai não teria nada. Nem mesmo o pai.


Novembro mal começou e eu já sentia que bom ares sopravam ao meu favor. Quem sabe ao nosso.
Eu estava melhor, mais centrada, feliz....
Eu estava, além de tudo, errada.
Errada sobre mim. Errada sobre a vida. Errada quanto a tudo que passei, pra chegar até aqui.
Reconhecer o próprio erro é fácil, olhar em volta e ver que o erro não é meu dói, dói muito. Estou para falar que dói mais que batida de caminhão.


Dezembro chega e as sensações se misturaram de novo. As dores de fevereiro voltaram a martelar a minha alma, outubro e suas (não) certezas também não saiam de minha cabeça e o final de ano ficou pequeno para tanta confusão.
De incoerências mil a uma única certeza: quando Deus nos tira alguma coisa Ele não o faz para nos punir, mas sim para abrir as nossas mãos para algo melhor que está por vir.
A incoerência deixei  com você, a certeza sempre esteve ao meu lado. Sigo a minha vida na certeza de que o que aconteceu nunca se apagará da minha mente. Sempre levarei de 2013 algumas lembranças.
Cresci muito nesse ano, mesmo não tendo tanta consciência disso até a pouco.
Se me permitem, vou usar uma frase que li, dias desses, em Facebook alheio: "Perfeito meu presente de amigo secreto".
Foi perfeito mesmo, obrigada.


Feliz 2014.
Para todos nós.
E que os anjos digam amém.